Há 20 anos mataram a Yamaha DT

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Desde a minha infância, lá pelos anos de 1960, sempre ouvi falar que o mundo não passaria do ano 2.000.  Morria de medo das profecias da minha amada tia Maria, Testemunha de Jeová fervorosa ela afirmava com certeza que aquele seria o ano do nosso julgamento… Cresci esperando por isso e quando chegou o ano 2.000, completei 40 anos e era a hora da verdade.

O grande temor foi o Bug do Milênio, pois os meios de comunicação afirmavam que todos dos dados guardados na memórias dos computadores se perderiam… Nada disso aconteceu. Depois tivemos a doença da Vaca Louca que causou sérios problemas à nossa pecuária, inclusive a suspensão da compra de carne brasileira pelos países do Primeiro Mundo. Só isso, ainda bem que os profetas do fim do mundo estavam errados…
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Mas não foi bem assim! Em Manaus (AM), lá na fábrica da Yamaha, um mundo deixava de existir. Há exatos 20 anos. Em agosto do ano 2.000 foram produzidas as últimas trezentas unidades da cobiçada Yamaha DT 200R.
A saga da linha DT 200 começou em outubro de 1991 quando saíram as primeiras unidades com motor de 195 cc e 25 cavalos de potência que moravam nas 8.500 rotações e o torque máximo de 2,15 kgf.m exigia que o motor estivesse a 8.000 rotações. Ou seja, só restava acelerar para ser feliz.

Enduro urbano

Eu tive uma versão dessa DT 200 e lembro com saudades de como era gostoso pilotá-la em meio ao trânsito travado. O motor não gostava de baixo giro e sempre pedia redução de marcha e o uso constante do acelerador e dos (péssimos) freios kkk. Mas era uma delícia, parecia que estava numa prova de enduro, superando obstáculos que surgiam na minha frente – era muito divertido!!!
A DT 200, também chamada de Van Gogh, durou até 97 quando a Yamaha produziu as últimas unidades em outubro daquele ano. A história da DT 200 durou sete anos, nesse período foram fabricadas 22.430 motos e o ano de maior sucesso foi 1993 com mais de 4.500 unidades fabricadas.
Veja os números de fabricação (dados divulgados pela Abraciclo)
Ano                 Produção
1991         2.467
1992         1.798
1993         4.654
1994         4.370
1995         3.635
1996         3.600
1997         1.906

Uma vida intensa

A minha DT 200 era maravilhosa, mas quem tinha mais dinheiro, buscava a caríssima DR 200R. Essa era uma máquina cobiçada… Quem chegasse de DT 200R na porta da discoteca, dificilmente sairia de lá sem uma garota na garupa (mesmo que os cabelos dela ficassem cheirando óleo 2T).  A DT 200R marcou território e teve uma vida intensa.
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Catálogo da Yamaha DT 180, modelo começou a linhagem que durou até o ano 2.000
As primeiras unidades foram fabricadas em dezembro de 1993 – naquele ano a linha DT ainda contava com a veterana 180. Assim a década de 1990 se mostrou a mais legal para quem curtia o grito forte das Yamaha era possível escolher entre nove modelos equipados com motor 2T (que iam do scooter Jog 50 até a RD 350).
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Assim como a DT 200, a DT 200R durou pouco, apenas sete anos e foi fabricada de dezembro de 93 até agosto do ano 2.000. Nesse período a fábrica de Manaus produziu 19.498 unidades sendo que ano de maior sucesso foi 1996 com 2.100 unidades produzidas.

Ano             produção
1993            150
1994         1.550
1995         1.398
1996         2.100
1997         1.800
1998         2.000
1999         1.302
2000            900
Quem curte motos clássicas sabe como é difícil achar uma DT 200, ou DT 200R, em ótimas condições. Na minha opinião, é culpa do prazer da pilotagem. Elas nos instigavam a tirar tudo do motor e escutá-lo zunindo. Bastava olhar no retrovisor (sempre tremendo, é claro) e ver aquele rastro de fumaça e as outras motos ficando para trás.
Passados 20 anos posso afirmar que os profetas do Apocalipse estavam errados em relação ao fim do mundo no ano 2.000. Nenhuma de suas trágicas previsões aconteceram, mas o fim da Yamaha DT 200 foi sem dúvida a coisa mais triste daquele ano. Isso ninguém previu, nem minha tia Maria.

7 thoughts on “Há 20 anos mataram a Yamaha DT

  • Texto espetacular, me emocionei lendo. Guardo minha unidade de DT 200R e não vendo nem a pau!.

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  • Moto que sempre quis ter, DT 180(e ainda quero… rrss), mas na época pulei da RS 125 pra uma XL 250R 1984 zero. As DT 200 eram ainda mais cobiçadas mas tambem não tive, é um vácuo na minha história motociclistica que ainda quero reparar.

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  • As dtzinhas sempre foram, e ainda são, cobiçadas. Basta ver o valor pedido em caso de alguém querer se desfazer da sua. Mas valem cada centavo, pelo prazer inigualável que um dois tempos proporciona. Linda matéria. Também sonho em comprar uma, mas quero a primeira versão. Nossos vizinhos da América do Sul, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, tem RX 115, e creio eu, várias trails 2 tempos de vários fabricantes.

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  • Ótimo comentário, a DT ou a Dona Teresa foi um ponto fundamental na história motociclistíca de muitas pessoas como eu. Uma pena ter saído de linha.

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