Minha Honda XLX 350R era estúpida, parruda, linda e ciumenta

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O preto do tanque brilhava em contraste com o amarelo do banco, do protetor de bengala e os adesivos. Eu achava a moto linda e não cansava de descer para a garagem para apreciar os detalhes da minha XLX 350 ano 1987. Ela chegou a minha vida com dez anos no lombo, e a comprei em 1997 e fiquei alguns ano com a moto. As lembranças são as melhores possíveis como as viagens ao litoral e também para Monte Verde (MG). Enquanto eu pilotava lembrava de como a XLX era especial quando foi lançada em 1987, para ser mais preciso a produção começou em abril e, naquele saíram 10.483 motos da fábrica da Honda em Manaus (AM).

XLX amarela - Minha Honda XLX 350R era estúpida, parruda, linda e ciumenta

Eu desfilava com a minha “Xzelona” curtindo aquele guidão largo (com quase 86 cm) que permitia fazer rápida alavanca e mudar de direção facilmente entre os carros como o Gol, Palio, Corsa e outros populares que infestavam nossas ruas em 1997. O motorzão de exatos 339 cc tinha a potência de 30 cv, mas o grande barato era o torcão de 3 kgf.m. Nossa como era gostoso ouvir o som encorpado e grave do escapamento fazendo aquele pó, pó, pó, pó entre os carros. Me sentia um rei… Afinal estava realizando o antigo sonho de ter uma XLX 350, afinal quem nunca sonhou com ela…

Mas nem tudo foi alegria

Como disse lá no título minha XLX era ciumenta e gostava de aprontar comigo. Ela parecia saber que era um dia quente e que a rua estava congestionada para dar aquele famoso pof e morrer… Aí meu amigo, eu tinha que me preparar com toda a paciência pois sabia que para ligá-la era sofrido kkkk. Fecha gasolina, desliga o contado dá algumas pedaladas e tenta ligar. Há, mas nem pense em tocar no acelerador, tinha que deixá-la à vontade, como se tivesse vontade própria. Aí ela ligava e vamos embora. Outra coisa, parecia que ela tinha noção que estava com a minha namorada (e hoje minha esposa) Elisabete na garupa, aí era fatal, ela iria morrer. Apesar disso, eu era ainda mais apaixonado pela minha Xzelona…

Nos trechos de estrada de terra a suspensão trabalhava muito bem. Na dianteira as rodas de 21 polegadas tinham curso de 21,5 cm enquanto a traseira (aro 17) chegava a 19 cm, na buraqueira parecia que fazia a XL, e seus 138 kg (em ordem de marcha) “flutuarem” no mau caminho. O banco macio permitia rodar por longas distâncias até a gasolina do tanque (capacidade de 14 litros) acabar.

Eu gostava da XLX, mas tinha um colega de redação, o Eduardo Bernasconi, que curtia muito minha moto. Ele trabalhava na Revista Oficina Mecânica e sempre perguntava “quer vender o Xzelão?”. Um dia atendi o pedido e vi a minha querida XLX 350 ganhar um novo dono, sei que o Edu curtiu demais a moto que ganhou novos aros e virou uma motard.

Nem preciso dizer o arrependimento que tenho hoje, então se você tem uma XLX 350 na sua garagem não se desfaça dela, você vai se arrepender. Apesar de muito populares, foram produzidas poucas unidades. Veja no próximo parágrafo

Veja quantas saíram de Manaus

Em 1988 foram produzidas 10.293 unidades. No ano seguinte (1989) foram 10.941 unidades enquanto em 1990 o número chegou a 7.421 motos. Segundo os dados da Abraciclo (em 1991) foram produzidas apenas 1.115 unidades. O total de motos produzidas acumula 40.253 e é bem pequeno, porém devemos lembrar que a XLX 350 era uma moto cara para a época e o Brasil entrava numa forte crise financeira.

3 thoughts on “Minha Honda XLX 350R era estúpida, parruda, linda e ciumenta

  • É verdade….Tenho a minha Xzelona a mais de 25 anos e com 50 mil originais. Nao troco, nao vendo e nao empreto. Saludos desde Chile Feliz Ano Novo.

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  • Muito legal relembrar a XL 350. Aqui em São Carlos fico maravilhado com muitas que não foram deixadas de lado, e muitas restauradas por todo lado. Muito legal.

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  • Mais uma das motos que sempre quis ter, mas não tive. Cheguei perto de comprar uma, azul, mas no último minuto da negociação o cara pulou pra trás… Excelente moto como todas da categoria, só o inesquecivel coice pra ligar…

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